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Marlone, meio-campo do Juniores do Vasco

Entrevista reproduzida no site 'Supervasco'


Foto: Netvasco.com.br (reprodução)


Por: Carlos Gregório Junior (@CarlosGregJr) e Luana Saud (@LuanaSaud)


Se existe uma palavra que pode resumir o nosso entrevistado de hoje, ela é LUTADOR. Natural de Augustinópolis-TO, o jovem Marlone possui sete anos de Vasco e conhece como poucos o ambiente do clube. Quem hoje o vê brilhando nos gramados com a camisa cruzmaltina não imagina as inúmeras dificuldades que ele passou até alcançar esse patamar.


Após deixar sua família para tentar a sorte no Rio de Janeiro, o tocantinense sofreu muito com a distância e por muitas vezes não conseguia demonstrar seu futebol dentro de campo por conta dessa saudade. Foi aí que o destino colocou alguém no caminho do garoto ‘Russo’ e não foi qualquer um; foi alguém que o ajudou a superar todas as dificuldades enfrentadas dentro e fora do clube, foi Jesus.


Foi com ajuda dele que Marlone conseguiu superar a falta de oportunidades no ano de 2008 e deu a volta por cima no ano de 2009, ajudado também pelo então técnico da equipe profissional, Dorival Júnior, que encantou-se com o talento do jovem. Talvez, se o treinador campeão da Série B pelo Gigante da Colina não tivesse ordenado que o clube fizesse um contrato profissional com ele, o atual camisa 10 dos juniores poderia estar brilhando com a camisa de outro clube.


Felizmente isso não aconteceu e hoje o Vasco tem em suas mãos uma jovem de grande futuro. Um garoto totalmente identificado com o clube, um moleque que viveu infância e terminou seus estudos dentro do complexo de São Januário e, principalmente, que ama o clube e cultiva um sonho que poucos cultivam hoje em dia: retribuir com títulos tudo o que o clube fez por ele.


Antes de tudo, gostaríamos que você nos falasse um pouco sobre sua trajetória. Sabemos que atuou ao lado do Philippe Coutinho, que hoje brilha nos gramados europeus. Onde você começou a jogar? Quem sempre te apoiou nesse sonho? E o que te fez escolher esse caminho?


Eu cheguei no Vasco aos 13 anos e estou até hoje, graças a Deus. Comecei na escolinha que se chama Grêmio Esperança, lá em Augustinópolis-To. Minha família sempre acreditou em mim e, apesar de passar por tantas dificuldades longe deles, graças a Deus, estou vivendo esse momento maravilho na minha vida. A escolha foi minha mesmo. Eu jogava só pelada, daí meu pai me viu e o meu primeiro treinador, que se chama Adão Carreiro, começou a me treinar.


Marlone em momento de oração na concentração do Vasco (Foto: Arquivo Pessoal)


Você chegou ao Vasco no ano de 2006, estudou no colégio do clube e passou por todas as categorias desde o infantil. Podemos dizer então que o Vasco fez parte do seu crescimento tanto como pessoa quanto como atleta. O que o Gigante da Colina representa para você?


O Vasco representa para mim um grande professor e um grande pai, que me acolheu como um filho. Eu tenho um amor muito grande pelo o Vasco.


No início de 2010 você renovou contrato com o clube até 2013 e até lá você já deverá possuir idade de profissional. O que você pretende fazer para garantir uma vaga na equipe principal até lá?


Eu pretendo dar o meu melhor, me esforçando, trabalhando com humildade e respeitando o trabalho de cada atleta. Dessa forma, espero ter minha oportunidade na equipe principal do Vasco, que é o meu sonho.


Você é um tipo de atleta que dribla e passa a bola muito bem, uma característica que traz boas lembranças aos vascaínos. Na última década, os torcedores se apaixonaram por um jogador franzino, que possui um físico igual ao seu: Pedrinho. Você alguma vez já foi comparado com esse jogador?


Não, eu já fui comparado com o estilo de Kaká e com o Ademir da Guia. O do KaKá e porque ele é objetivo e usa muito as arrancadas; Já com o Ademir é por causa da aparência e do estilo de jogar em pé, de cabeça erguida.


Ao chegar ao Vasco você atuou muitas partidas como lateral-direito. Hoje você é o camisa 10 da equipe sub-20 e houve uma mudança radical no seu posicionamento em campo. Conte para a torcida vascaína como ocorreu essa mudança e qual treinador foi responsável por ele. Aproveitando, fale um pouco sobre como você gosta de jogar.


Não, foi até boa essa minha experiência como ala, pois aprendi a marcar. Quem me colocou foi o treinador Marcos Alexandre no infantil. Em 2008, o treinador Tornado, atual técnico do juvenil do Vasco, começou a me usar de meia, que é minha posição de origem, e a partir daí, graças a Deus, foi dando tudo certo. Quando o professor me mandou jogar pela direita, o campo não estava ajudando no meu estilo de jogo e sempre colocavam marcação individual em mim, mas isso é do futebol. Eu gosto de jogar em direção ao gol, Simples e objetivo.


Marlone em ação contra o Flamengo (Foto: Blog de Base)


Gostaria de fazer história num clube como o Vasco ou seguiria o sonho de ir para a Europa numa oportunidade? E qual é o clube dos seus sonhos?


Eu gostaria primeiro de fazer uma historia aqui no Vasco, e depois ir para a Europa. Eu tenho muito carinho pelo o Vasco, sempre foi um pai para mim, por isso que tenho esse pensamento. Real Madrid e Barcelona.


Quais são os seus ídolos no futebol e na vida? E qual o jogador que você admira no atual elenco? Prefere ser chamado de ‘Russo’, teu apelido no clube, ou de Marlone?


Eu admiro muito o Kaká e o Zidane. No atual elenco eu admiro alguns como o Luciano, o Washinton, o Arthur e o Elivelton. Eu gostaria de ser chamado de Marlone mesmo.


Ao longo de todo esse tempo no Vasco, quais foram os melhores momentos e os piores que você viveu? E como você avalia as categorias de base do clube?


Os meus melhores momentos foram em 2007 e agora em 2011. O meu pior foi em 2008, onde eu era ‘baba da baba’; enquanto eu treinava, o treinador ficava lendo jornal e às vezes nem me colocava para treinar. E eu apesar de estar longe de casa, sem ninguém do lado, aguentei ser pisado e humilhado no ano todo. Mas Deus me ergueu e hoje estou aqui vivendo esse momento especial na minha vida. E as categorias de base do Vasco sempre foram competentes e muito disciplinadas, não só para ser um bom jogador, e sim um homem.


Enquanto Dorival Junior esteve no clube, você foi bastante elogiado por ele e chegou até a participar de alguns treinamentos com a equipe de cima. Qual a importância desse treinador e desse ‘reconhecimento’ para a sua carreira?


Falar do Dorival Junior é sempre um prazer pela personalidade que ele tem e pelo seu caráter. Eu estava de titular no juvenil e alguns jogadores que estavam no banco já tinham assinando contrato profissional e eu não. Aí, num belo dia, teve um treino na equipe principal; o Dorival me viu pela manhã e gostou; logo a tarde tinha um amistoso contra a seleção de Nicarágua e eu fui bem, graças à Deus. Ele gostou do meu estilo e já mandou assinarem um contrato profissional comigo. Depois disso, começou a me chamar parar amistosos do profissional.


Marlone ao lado do amigo Carlos Alberto, em 2008 (Foto: Marcelo Sadio- Vasco)


Quais as maiores dificuldades que você enfrentou ao longo da tua carreira? Se pudesse voltar no tempo, o que você faria de diferente? Se pudesse escrever o seu futuro, o que você escreveria?


A maior dificuldade foi ficar esse seis anos longe da família, passava os dias das mães longe de casa, os dias do pais, meu aniversário, ainda mais humilhações longe da minha família, e quando vinha a enfermidade eu sentia muita falta dos meus pais do meu lado. Coisas que me desanimavam, mas Deus sempre me dava força! Eu mudaria algumas atitudes minhas... E se eu pudesse escrever o meu futuro, me escreveria sendo um grande jogador do Vasco, um grande homem, dando uma vida melhor para minha família e ajudando na obra de Deus.


Por fim, mande uma mensagem para a torcida vascaína.


Quero falar para a torcida vascaína que não sou nenhum fenômeno, mas sim um garoto que está apenas trabalhando para ganhar seu espaço na equipe principal. Pretendo ganhar grandes títulos na equipe profissional do Vasco e dar muitas alegrias a essa torcida maravilhosa.


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